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Interzonal do Rio de Janeiro (II)

Chess PersonalitiesOver the board
Aconteceu uma catástrofe - tanto no Interzonal de 1979, quanto no meu velho PC. Perdi tudo que tinha escrito, então vai de memória mesmo, na marra, no sentimento.

A tragédia que o Interzonal de xadrez de 1979, realizado sob apoio da Atlântica-Boavista Seguros, trouxe foi o colapso na saúde do nosso jogador maior, o GM Henrique Mecking, logo na segunda rodada da competição. Mecking parecia bem disposto, dava entrevistas, atendia os fãs, confiava na preparação para mais uma vez sair candidato a disputar o título mundial de xadrez. No entanto, a surpresa veio através de uma nota escrita às pressas pelo médico oficial da C.B.X., Dr. Jorge Lemos, informando a desistência de Mecking - por motivo de saúde - de seguir na competição. Foi uma confusão danada, impensável atitude, espanto, surpresa, alguns comparavam o fato com a tragédia da Copa do Mundo de Futebol de 1950. Antes de continuar, devo dizer que - na minha modesta opinião - o problema que acometeu o GM Henrique Mecking era a saúde psicológica, Desde que surgiu Campeão Brasileiro e Latino Americano aos 14 anos de idade, nunca, jamais, em tempo algum, o gênio do xadrez teve apoio nem das 'autoridades competentes', nem do Governo Brasileiro, nem da CBX, nem do Governo Gaúcho. Mesmo sem nenhuma dessas muletas, Mecking ganhou categoricamente dois Interzonais de Xadrez (Petrópolis e Manila), vários Torneios Nacionais e Internacionais, se tornou ídolo dos apaixonados do xadrez do país e de toda América. Enfrentou de igual por igual, Viktor Korchnoi e Lev Polugaevsky - os outros desafiantes classificados - tendo perdido por escore mínimo em ambos os casos. Em certa ocasião., Henrique Mecking esteve entre os 10 maiores jogadores de xadrez do mundo, o Primeiro das Américas, o Primeiro a atravessar a barreira dos 2700 pontos do Rating da FIDE. Agora, a grande esperança enfrentava o desafio em sua própria terra. O peso da responsabilidade, o apoio mínimo comparados ao oferecido a seus adversários, tudo isso levou o GM Henrique Mecking ao colapso, a ter que abandonar tudo e sumir. Mas o espetáculo, neste caso o Interzonal, teria que continuar. Ao mesmo tempo, desviando o foco das atenções para nosso segundo representante, o Campeão Brasileiro do Ano, o futuro GM Jayme Suniê dava os passos iniciais da sua promissora carreira no Xadrez Brasileiro e Mundial. . Assim, a história do xadrez no Brasil e no Mundo segue em frente, novos ídolos, novos Gênios, jovens campeões. Para felicidade geral da nação, o Xadrez e a Vida seguem em frente juntos, em dependência mútua.